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Controladoria Jurídica uma aliada na gestão organizacional

Não é de hoje que o mercado jurídico de escritórios de advocacia já percebe que não é mais possível manter-se nos antigos padrões organizacionais. Os escritórios que atendem grandes corporações são demandados pelos seus clientes, não só em questões jurídicas técnicas, mas também em relatórios atualizados, dados precisos para auditorias, provisionamentos, ter um consultivo quase que em tempo real, e, ainda, estar à frente do que a nova legislação irá exigir como é o caso da Lei Geral de Proteção de Dados.  O modelo antigo, onde os sóciosestavam 100% voltados para operação jurídica, é contrário às necessidades de crescimento e atualização que o mercado exige. O “advogado de raiz” teme, foge, questiona e reluta com conceitos de gestão jurídica. E não por acaso, eis que em nossa formação acadêmica passamos distantes dessa realidade. Sequer se houve falar em marketing jurídico, políticas de atendimento, gestão financeira, CRM, controladoria, RH, entre outros.

No entanto, para consolidar um nome e uma marca no mercado jurídico o crescimento sustentável deve se dar em um meio organizado, mapeado e controlado. É imprescindível que o advogado sócio esteja acompanhando as tendências de profissionalização da administração do seu negócio – o escritório de advocacia.

Ter uma estrutura organizada irá refletir na entrega ao cliente. O contrário é ainda mais verdadeiro. A operação de um escritório jurídico exige planejamento, organização, método e uma equipe engajada e disponível, para dedicar-se às questões técnicas.

Uma das formas mais eficazes de se ter qualidade e tempo para aperfeiçoamento é implantar ou, desde o início da sociedade, já estabelecer a área de Controladoria Jurídica e a pessoa do Controller. A função primordial da área é a de realizar todo o trabalho de suporte administrativo à área técnica jurídica e acompanhar os resultados.

Na grande maioria dos escritórios, até mesmo nos que possuem controladoria, mas mal estruturada, o advogado se vê mergulhado em questões como cadastros no sistema interno, lançamentos de prazos, solicitando cópias, gerando guias, alinhando pautas de audiências, contratando correspondentes, conferindo protocolos e, muitos ainda, fazem o arquivamento físico de documentos. Essa série de tarefas acaba afastando o profissional do que realmente depende dele – a qualidade na produção jurídica.

A Controladoria surge como uma forma de garantir a fluidez na execução do trabalho do profissional do direito e que, no decorrer de sua estruturação, pode ainda ser a área responsável por parametrizações, procedimentos internos, indicadores de resultados, gestor do sistema jurídico interno, isto é, por informações que sejam estratégicas para a tomada de decisão dos sócios, inclusive em nível de capital humano.

Dentre outras ferramentas de gestão, a Controladoria evita e traz soluções para documentos perdidos, informações desatualizadas, peças atrasadas, clientes sem informação processual, ou seja, se apresenta como uma grande aliada na gestão da informação.

O grande desafio na implementação de uma controladoria é o tempo que isso demanda frente à rotina diária. Percebendo que há a necessidade de uma reorganização estrutural é importante que se procure um profissional experiente, para auxiliar no planejamento e implantação, para que os sócios e advogados não se afastem de suas rotinas e tão pouco, deixem de vivenciar um crescimento sustentável que, só é possível através da prevenção ao invés de, ir pelo caminho mais doloroso que é o do “caos para a organização”.

Cristina Rosenbaum – Consultora em Gestão para escritórios de Advocacia e Departamentos Jurídicos. Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul com MBA em Direito da Empresa e da Economia, tem mais de 15 anos de experiência na formação e gestão de equipes jurídicas. Responsável por projetos que elevaram o nível de conhecimento e exposição de escritórios. Possui vasto conhecimento e vivência em gestão jurídico organizacional, desde formação de equipes, criação de indicadores, metas, padronização de procedimentos internos, atendimento de excelência aos clientes, reestruturação da área jurídica ou equipe, implantação e treinamento de controladoria jurídica. Participou de cursos no Brasil e no exterior a respeito de tecnologia voltada ao setor jurídico. Linkedin  

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