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Adaptabilidade: competência em evidência

O que trago nessa breve reflexão não é sobre a pandemia e a crise decorrente dela, assunto do momento. Quero falar sobre a oportunidade que a situação que vivenciamos oferece aos líderes de observar, em suas equipes, como um profissional reage diante da inevitabilidade da mudança. Sim, mudanças são inevitáveis e nem sempre são previamente estudadas. Vivenciamos, profissional e pessoalmente, a experiência de observar uma das competências mais importantes dessa década, a ADAPTABILIDADE.

Adaptabilidade: “aptidão, inerente a numerosas espécies, de viver em condições de ambiente diferentes daquelas de sua ocorrência natural” (Souza, 1973).

A necessidade de trabalho remoto não foi o estopim para que a capacidade de adaptação tenha se tornado uma das competências mais valorizadas desta década em um profissional. Ela já vem sendo medida e fazendo parte dos processos seletivos nas grandes empresas de recrutamento. Perguntas em entrevistas de recrutamento como: quais suas qualidades e quais os seus defeitos estão em desuso. Recrutadores que pretendem identificar profissionais com alta capacidade de adaptar-se fazem perguntas com suposições, descrevem diversas versões do futuro e observam as respostas e reações dos candidatos.

Procurar sinais de adaptabilidade no momento de avaliar fundadores de startups é o método usado pela investidora Natalie Fratto (vice-presidente da Goldman Sanches). O quociente de adaptabilidade, QA, segundo Fratto, mede a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mudanças rápidas. Buscar evidências dessa habilidade no candidato fazem com que os processos de recrutamento adquiram outro foco e patamar.

Uma das poucas certezas de que se tem dentro de uma empresa, de um escritório ou departamento jurídico é a certeza da mudança, não existe forma estanque e congelada de existir se o mercado se move de forma cada vez mais acelerada.

Não são as pessoas inteligentes (altos QI) as mais procuradas pelas empresas – são as mais adaptáveis e capazes de gerar soluções, para os desafios dos empreendimentos. As mudanças nas condições de trabalho, a necessidade de respostas instantâneas, frente a mudanças repentinas, obriga o cérebro a reagir e é assim que vem funcionando desde a Revolução Industrial.

Ainda que meu foco seja o mundo Jurídico, o atual momento me faz experimentar as deficiências e as virtudes no que tange a adaptabilidade desde a escola, onde minha filha estuda, como nos escritórios com sócios e colaboradores jovens e nem tão jovens.

As pessoas que sofrem e veem o negativo de qualquer mudança não são pessoas adaptáveis. Aqueles que percebem as possibilidades de desenvolvimento diante da “dor” (do caos), transformando em chances e não em perdas os momentos de mudança além de adaptáveis, destacam-se por serem também resilientes, consequência da adaptabilidade.

Continuar produtivo mesmo quando as exigências do trabalho nos puxam em muitas direções diferentes, perceber a mudança como nova oportunidade de aperfeiçoamento é o grande destaque do momento. Líderes e gestores do capital humano, de escritórios e departamentos jurídicos devem estar atentos para identificar e valorizar aqueles que possuem essa aptidão.

“No mar calmo, todo barco navega bem” (Shakespeare)

Autora: Cristina Rosenbaum
Advogada | Especialista em Gestão Jurídica e Controladoria Jurídica | Sócia Rottattiva Gestão Empresarial
E-mail: gestaojuridica@rottattiva.com.br

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